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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

De uma estudante para os profissionais da área de interiores

Na verdade esse post é mais uma reflexão, um desabafo e um pedido aos profissionais que já trilham a estrada há algum tempo. Sei que o mercado de trabalho cada dia fica mais difícil, mais inchado e muitas vezes não há profissionais qualificados o suficiente para as atividades que se propõem a executar. Das universidades, todos os semestres, saem milhares de recém formados no Brasil inteiro, e esse é apenas um número que não significa que a mesma quantidade de formados está plenamente apta para absorção imediata pelo mercado de trabalho, pois boa parte deles não se interessou no decorrer do seu curso, não procurou ser bom aluno, não fez questão de estagiar, enfim, não se prepararam como deveriam, preocupando-se apenas em obter um diploma. Acontece que há uma outra boa parte que realmente QUER TRABALHAR, e mesmo antes de se formarem. Possuem boas notas, boas referências de professores que acompanham seu desenvolvimento em sala e na execução dos trabalhos passados, e que procuram incessantemente por estágios, na maior boa vontade de autar desde logo no seu nicho.
Infelizmente, e inclusive por experiência própria, percebo uma certa má vontade em uma parcela do mercado de trabalho, mesmo o aluno sendo essa maravilha toda que descrevi logo acima. A questão toda reside em praticamente um ponto: experiência (ou melhor, a falta dela). Tenho feito vários contatos a respeito de propostas de estágio, mas tudo esbarra em uma questão antes de mais nada: "tem portfólio?"
O portfólio é o que "venderá o peixe" do designer para o cliente. Nessa pasta serão visualizados trabalhos já realizados pelo profissional, de forma que o cliente poderá verificar sua competência, seus feitos, a qualidade de seu trabalho, e esse pode ser um fator determinante para o cliente contratar ou não o designer, por isso é super importante possuir um portfólio que inclua em torno dos seus dez melhores trabalhos, para fornecer ao cliente uma noção de como você atua.
Veja o "porém": você não consegue montar um portfólio se você NÃO TEM TRABALHOS a mostrar; por outro lado, raciocinemos: você não consegue estágio ou trabalho se não tiver um portfólio a apresentar durante o processo de admissão do qual você for participar. Vê como a questão é complicada? E quem mais sofre é quem ainda não é formado. Já vi em vários sites sérios que dão muitas dicas de como criar o portfólio que, se você não tem trabalhos concretos a mostrar, faça seu portfólio com os seus melhores trabalhos da faculdade. Ok, até aqui, tudo bem, foi encontrada uma solução alternativa. Mas mesmo assim ainda tem lugares e profissionais que "torcem o nariz" quando estão diante de alguém sem experiência.
Eu até consigo entender o outro lado, pois muitas vezes tem-se um volume tão grande de trabalho em um escritório, por exemplo, que não dá para perder tempo ainda explicando tarefas, ou começando do zero com alguém, para não atrasar cronogramas, daí a opção por alguém que já executou aquele trabalho, alguém que já sabe como o sistema funciona. Só que (defendendo a nossa causa, estudantes!) ter um estagiário nos quadros de uma empresa compensa, e muito! Aquele estagiário sério, que realmente quer aprender, não medirá esforços no intuito de absorver cada detalhe que lhe for passado, ele estará a postos para qualquer determinação e para executar qualquer trabalho com o maior prazer e a maior disposição, afinal, ele compreende que estará ganhando a tão sonhada experiência e, quem sabe, uma futura indicação para um salto maior na carreira. Além do mais, já vi muito estagiário topar realizar atividades até mesmo de graça, e prosperaram depois de formados, pois estavam dispostos a trabalhar para crescer! Não estou fazendo apologia ao estágio gratuito, nada mais justo que trabalhar e receber pelo seu trabalho, é uma via de mão dupla, mas a boa vontade dos estudantes está por aí. Outro ponto a ser destacado é que se uma empresa traz para seu quadro um aluno sem experiência, ela pode "moldá-lo", começar do zero e estabelecer suas regras, seu modo pessoal de trabalho, sem que o aluno venha muitas vezes com "vícios" profissionais oriundos de outros locais. Além do mais, ao aceitar um estagiário, a empresa estará ajudando a formar uma nova geração de profissionais, jovens mais antenados, que possuem mais recursos à mão para a concretização de projetos cada vez mais ousados e criativos, e capaz de encontrar soluções. Nada como uma mente fresca para resolver problemas. Basta olhar o exemplo do criador do Facebook: super jovem, visionário, esperto, criativo. Podem ter certeza que há muitos estagiários assim Brasil afora, FALTA APENAS A OPORTUNIDADE de mostrarem a que vieram, que muitas vezes é negada baseado unicamente na inexperiência.
Então, pensemos todos e vejamos o que compensa. E compensa investir em novos talentos, em gente que quando sair da universidade já vai estar apta a encarar desafios, negociar, criar e executar projetos, captar novos clientes, enfim, tornar-se-ão profissionais que poderão muito bem serem absorvidos como tais pela própria empresa, até que esses profissionais decidam abrir um negócio próprio, e até nesse caso ainda pode haver um trabalho de parceria com a antiga empresa que o acolheu, porque na nossa profissão os contatos são simplesmente fundamentais.
Admito que esse post foi também advocacia em causa própria, pois eu também estou correndo atrás e esperando pela minha chance, tentando FAZER A MINHA CHANCE, e espero que aqueles que tem o poder de contratar estagiários leiam essa postagem, compreendam as dificuldades e vantagens de ter pessoas como nós em seus ambientes de trabalho.