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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Guerra e paz - os painéis de Portinari no Theatro Municipal

Segunda-feira, 27 de dezembro, fui visitar os painéis de Portinari, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que lá permaneceram pelo curto período de 22 a 30/12. A entrada era franca, e era organizada em sessões que ocorriam a cada duas horas. Fui no primeiro horário, das 10 da manhã. Ao chegar na entrada do Theatro, às 9:30hs, para buscar a senha, uma surpresa: uma fila já grande esperando para entrar, e logo depois de mim ela foi-se alongando, virando a esquina. Às 10hs entramos, na ordem de chegada, claro, e recebemos o ingresso, que vou guardar de lembrança desse grande acontecimento da História e das Artes Plásticas, que tive o privilégio de presenciar.
Os painéis, de cerca de 14 x 10m, foram encomendados pelo governo brasileiro a Portinari que, mesmo terminantemente proibido pelos médicos de manejar tinta a óleo novamente, terminou a enorme pintura, que foi inaugurada pelo então presidente da República, Juscelino Kubitschek. A inauguração aconteceu no exato local para o qual, anos depois, em 2010, as pinturas voltaram. A cerimônia presidida por Kubitschek foi a única exibição dos painéis no Brasil, que rumaram para as Nações Unidas em Nova York e lá permaneceram até sua volta, mês passado.
Portinari terminou as pinturas em nove meses, tendo-as finalizado em 1956. Apenas viu sua obra na inauguração no Theatro Municipal, tendo sido proibido de viajar aos EUA, por ser tido como comunista, e o macartismo era o regime vigente nos Estados Unidos naquela época.
Os painéis voltaram para exibição no Brasil depois de alguns anos de negociação e esforços empreendidos pelo filho único do artista, João Cândido Portinari, que idealizou o Projeto Portinari há cerca de trinta anos, para catalogar toda a obra do pai e organizar o acervo do artista, falecido em 1962, tendo sido autor de cerca de cinco mil obras no total geral, e nas mais variadas técnicas - painéis, pinturas, gravuras, desenhos, murais, óleo, carvão, crayon, lápis de cor, guache, nanquim, aquarela, etc.
O Projeto Portinari é um trabalho fruto de anos de coleta de dados de obras, estudos, informações, para disponibilizar para o grande público, com o fim de que este conhecesse uma personalidade brilhante que é 100% brasileira. Tão brasileira que sua obra também expira essa brasilidade. Quem não teve, ao longo da vida na escola, um livro de História do Brasil que contivesse pelo menos suas famosas obras de lavradores de café, com suas típicas mãos e pés propositadamente agigantados? Foi em um momento assim que conheci as minhas primeiras obras de Portinari.
Enfim, voltando ao relato do que vi no dia 27/12, quando a maioria das pessoas acomodou-se nas cadeiras do Theatro, passaram em uma tela gigante um pequeno documentário, narrado por Fernanda Montenegro, contando um pouco da história dos painéis, desde sua encomenda até sua exibição inaugural. Depois, linhas coloridas foram desenhadas em telas pretas e desapareceram; aos poucos foram-se formando as figuras dos painéis, que desapareceram, como se dançassem pela tela, sempre com uma música de orquestra ao fundo, e o Theatro todo escuro, obviamente. Por fim as figuras apareceram juntas tais como estão dispostas nos painéis e o palco começou a ficar iluminado, e as telas pretas subiram devagar, revelando os tão esperados painéis. Os efeitos de linhas, formas e figuras "desenhados" na tela preta foram uma fantástica obra de design gráfico, que conferiu à apresentação dos painéis um ar bastante criativo e chamativo, no sentido em que as atenções permaneceram grudadas nas telas.
Vale dar uma olhada no site do Projeto Portinari http://www.portinari.org.br/ppsite/index.htm, cuja navegação demonstra a importância e o êxito do trabalho árduo de João Cândido.
Como se não bastasse o espetáculo dos painéis e de sua apresentação, vale ainda lembrar que o Theatro passou recentemente por uma grandiosa reforma, que veio mais que em tempo, devido ao estado lastimável de conservação em que o prédio se encontrava. O Theatro, agora, está lindo. Quando for visitar o local, ao entrar no salão de espetáculos, não esqueça: olhe para cima, para a cúpula e também acima do palco; nesses dois pontos do salão há suaves afrescos de ninguém menos que o pintor brasileiro Eliseu Visconti, datadas de 1936, que também passaram por restauração.
No final desse post, confira os vídeos que fiz no interior do Theatro e dos painéis Guerra e Paz, que são facilmente identificáveis qual é qual. O painel da esquerda apresenta aspectos sinistros, como um cavaleiro com uma espécie de armadura sobre um cavalo negro, pessoas de aspecto aterrador, feras com expressões faciais de fúria, etc, tudo usando uma paleta de cores mais azulada, mais sombria. O painel da direita, por sua vez, mostra crianças brincando, mulheres alegres em ciranda, e uma paleta de cores mais vibrantes, laranjas, amarelos, rosas, etc.
É realmente um trabalho incrível, a herança de um grande nome da pintura brasileira de todos os tempos para nós, e esse resgate não seria possível sem a intervenção de João Cândido, que também pretende levar as obras a outras cidades do país após seu restauro aqui no Brasil. O Projeto Portinari conta com diversas parcerias e patrocínios, empresas de grande porte, organismos governamentais e outras entidades que apoiam e suportam o trabalho realizado no Projeto.
Sem mais delongas, os vídeos:


O Theatro por dentro, no salão de espetáculos


Guerra e paz, que ficaram em exibição no palco do Theatro
Créditos dos vídeos: Nathalia Lopes

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Fui ver a exposição de Sérgio Rodrigues

Dia 09, como não houve aula, corri de casa para ver a exposição de Sérgio Rodrigues na Caixa Cultural. Gente, que visão possuía o designer ao criar, na década de 50, peças com linhas tão modernas, tão bem trabalhados na madeira, sua matéria-prima favorita! A famosa Poltrona Mole, criada em 1957, é certamente o chamariz de qualquer exposição de design de móveis na qual esteja, e é a peça, criada por Sérgio, mais conhecida dentre os que se interessam e entendem um mínimo de design de mobiliário.
O arquiteto e designer é um dos maiores nomes da história do mobiliário brasileiro, sendo considerado o pai do móvel moderno. Na exposição havia cadeiras, poltronas, mesas, abajures, móveis para exteriores - lindos - e em uma sala menor, anexa à da exposição, havia murais com fotos e desenhos de peças do designer, e uma tela exibindo entrevistas e documentários com ele.
No final, valeu muito a pena ter ido. Centros culturais como os da Caixa e do Banco do Brasil sempre trazem uma boa exposição que compensa muito a ida. Isso, claro, além dos museus, velhos aliados dos que trabalham com design e arte em geral. Esses não podem sair da programação cultural desses profissionais.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Exposição Sérgio Rodrigues no RJ

Exposição das fantásticas peças do arquiteto e designer Sérgio Rodrigues, sob curadoria de sua filha Verônica, no espaço Caixa Cultural, próximo à estação da Carioca. Um evento imperdível e totalmente GRATUITO!! Confiram os detalhes (cliquem nas imagens para ampliá-las):